Arte e Tradição Lambe-Lambe Transformam Aula do 9º Ano em Crato
Resgatar o Passado para Revelar o Futuro
No dia 22 de maio de 2026, o bairro Pinto Madeira, em Crato, Ceará, recebeu a Poesia da Luz em um cenário de pura alquimia visual e histórica. Os estudantes do 9°ano C da Escola E.E.F Dom Quintino deixaram a tradicional sala de aula para mergulhar de cabeça em uma das manifestações mais ricas da fotografia popular brasileira: a Câmara Lambe-Lambe.A iniciativa, idealizada e conduzida pelas estagiárias de Arte Gabriele Alves e Vitória Emilly, teve como objetivo central apresentar à juventude imersa no digital os processos físicos e químicos que deram origem à imagem impressa. A atividade foi fundamentada nas diretrizes da BNCC aliando teoria, fruição e a prática do fazer artístico.
Mais do que uma aula de história da arte, a experiência contou com a presença da Nívia Uchôa, Fotógrafa, cineasta, ativista e proprietária da empresa Poesia da Luz e também Chico Bruno, Fotógrafo, construtor de câmeras e laboratorista analógico.
O Processo na Prática:
1. O Alvo e a Luz: Os estudantes sentavam-se individualmente em uma cadeira disposta na calçada, tendo como fundo um pano branco estendido na parede da escola.2. A Caixa e o Clique: Através da Câmara Lambe-Lambe, o fotógrafo capturava a imagem e iniciava a manipulação interna no escuro da caixa.
3. A Revelação: Em seguida, as mãos lavavam o papel fotográfico nas bandejas com químicos e o milagre acontecia: a imagem em tom de cinza surgia para posterior lavagem final na parte externa da câmara.
4. A Secagem: Ao final, dezenas de retratos em preto e branco foram dispostos sobre uma mesa escolar, revelando a identidade e o orgulho de uma turma inteira. De acordo com o plano das estagiárias, a avaliação baseou-se inteiramente no engajamento e na sensibilidade dos alunos com a arte local. O resultado superou as expectativas: a calçada da escola Dom Quintino não foi apenas um espaço de passagem, mas um monumento vivo de valorização da memória, provando que, mesmo na era dos filtros digitais e das redes sociais, a poesia da luz analógica ainda tem o poder de fascinar e educar.
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