18/02/2026

Fotografia Lambe-Lambe vai ao XI Herança Nativa do SESC Ceará

Indígena Purú Kariri posa para um retrato 

 Em meio ao toré dos povos indígenas, ao balanço das saias das comunidades quilombolas e ao aroma das medicinas tradicionais, uma pequena caixa de madeira sobre um tripé roubou a cena no XIº Encontro Sesc Herança Nativa. O local, o Sesc Iparana Reserva Natural, transformou-se em um portal do tempo onde o passado e o presente se encontraram através das lentes de Chico Bruno, do projeto Retrato Batido Cariri.


A Magia que Vem do Cariri

Enquanto a tecnologia digital promete a perfeição instantânea e descartável, Chico Bruno levou para o evento a paciência e o encantamento da fotografia lambe-lambe. O fotógrafo, vindo diretamente do Cariri — terra de mestres e tradições — trouxe na bagagem a técnica centenária de revelar fotos dentro da própria câmera-caixote.


"O lambe-lambe não é apenas tirar uma foto; é um ritual de fixar a alma no papel. No Herança Nativa, cada rosto que passa por aqui carrega uma linhagem inteira. É uma honra devolver esse reflexo de forma tão tátil e artesanal", comenta Chico Bruno, entre uma revelação e outra.

 

O Retrato como Documento de Identidade Cultural


O projeto Retrato Batido não apenas registrou os rostos dos participantes; ele se tornou parte da programação vivencial. Lideranças indígenas, ciganos e quilombolas se aproximavam da c para ver a "mágica" acontecer. O processo, que envolve químicos, banhos de água e a luz do sol, fascina pela sua natureza orgânica.

Diferente do selfie no smartphone, o retrato lambe-lambe exige presença. É preciso ficar imóvel, respirar o tempo da química e esperar que a imagem surja, mergulhada na bandeja, como um segredo revelado. Para muitos mestres da cultura tradicional presentes no Sesc Iparana, levar para casa aquele pedaço de papel em preto e branco foi como carregar um espelho de sua própria história.


O Evento: Um Caldeirão de Saberes



Encontro Sesc Herança Nativa 2026 consolidou-se este ano como um dos maiores espaços de intercâmbio cultural do Brasil. Reunindo representantes de mais de 80 municípios cearenses e, pela primeira vez, delegações de países africanos e asiáticos, o evento celebrou a diversidade que forma a identidade brasileira. A participação de Chico Bruno reforçou o tema desta edição: a memória como ato de resistência. Ao resgatar uma profissão que quase desapareceu das praças brasileiras, o Retrato Batido Cariri dialoga diretamente com a luta dos povos originários pela preservação de seus próprios territórios e saberes.

15/02/2026

Ver o mundo por um furo. Pinhole...


A fotografia pinhole, com sua natureza rústica e quase mágica, sobrevive ao tempo como um lembrete de que a essência da imagem não reside na tecnologia de ponta, mas na própria natureza da luz. Em um cenário contemporâneo onde a inteligência artificial e os sensores de altíssima resolução dominam o mercado, essa técnica — baseada no simples princípio da câmera escura — atrai um número crescente de entusiastas que buscam o que muitos chamam de "slow photography". O conceito remete à Antiguidade, quando pensadores como Aristóteles observaram que a luz, ao passar por um pequeno orifício em uma caixa selada, projeta uma imagem invertida do mundo exterior na parede oposta. O que era um auxílio para pintores no Renascimento tornou-se, com o advento da química no século XIX, um dos métodos mais puros de registro visual.


Diferente das câmeras convencionais, o equipamento pinhole (onde pin significa alfinete e hole significa buraco/furo)  dispensa o uso de lentes de vidro. O objetivo é, literalmente, um buraco de agulha feito em uma superfície fina de metal. Essa ausência de óptica produz uma estética inconfundível: uma nitidez suave que se estende infinitamente, do objeto mais próximo ao horizonte mais distante. Como a abertura é minúscula, a quantidade de luz que atinge o filme ou o papel fotográfico é extremamente reduzida, o que exige tempos de exposição que variam de alguns segundos a várias horas. Esse fator temporal introduz uma dimensão poética na fotografia, onde o movimento frenético das cidades desaparece, transformando ruas lotadas em cenários fantasmagóricos e silenciosos.


Para o artista, a pinhole representa um exercício de desapego e controle artesanal. Sem visor para enquadrar ou visor digital para conferir o resultado imediato, o fotógrafo precisa confiar na intuição e na sua compreensão da geometria da luz. Muitas vezes, a própria câmera é construída pelo autor a partir de objetos cotidianos, como latas de café ou caixas de madeira, o que permite distorções e perspectivas que o equipamento industrializado raramente oferece. No laboratório, o suspense da revelação completa o ciclo de uma arte que não aceita a pressa. Em última análise, a fotografia de orifício não é apenas uma técnica técnica arcaica, mas uma resistência cultural que convida o olhar a desacelerar e a apreciar a textura do tempo gravada no papel.


25/01/2026

Retrato Batido marcará presença no XI Herança Nativa


Entre os dias 30 de janeiro e 03 de fevereiro, o Sesc Iparana será o palco do Herança Nativa 2026, um evento que exalta a riqueza cultural e as tradições dos povos originários e comunidades tradicionais. Estaremos presentes com Chico Bruno fazendo fotografia lambe-lambe em vivências e palestras.

Realizado pelo Sistema Comércio (Fecomércio CE, Sesc e Senac), o encontro é uma oportunidade única de vivenciar trocas de saberes, apresentações culturais e fortalecer o elo com a nossa história.

Programe-se:

Onde: Sesc Iparana Hotel Ecológico.
Quando: De 30/01 a 03/02 de 2026.

Fique de olho em nossas redes para conferir as ações e os retratos batidos no evento!