15/02/2026

Ver o mundo por um furo. Pinhole...


A fotografia pinhole, com sua natureza rústica e quase mágica, sobrevive ao tempo como um lembrete de que a essência da imagem não reside na tecnologia de ponta, mas na própria natureza da luz. Em um cenário contemporâneo onde a inteligência artificial e os sensores de altíssima resolução dominam o mercado, essa técnica — baseada no simples princípio da câmera escura — atrai um número crescente de entusiastas que buscam o que muitos chamam de "slow photography". O conceito remete à Antiguidade, quando pensadores como Aristóteles observaram que a luz, ao passar por um pequeno orifício em uma caixa selada, projeta uma imagem invertida do mundo exterior na parede oposta. O que era um auxílio para pintores no Renascimento tornou-se, com o advento da química no século XIX, um dos métodos mais puros de registro visual.


Diferente das câmeras convencionais, o equipamento pinhole (onde pin significa alfinete e hole significa buraco/furo)  dispensa o uso de lentes de vidro. O objetivo é, literalmente, um buraco de agulha feito em uma superfície fina de metal. Essa ausência de óptica produz uma estética inconfundível: uma nitidez suave que se estende infinitamente, do objeto mais próximo ao horizonte mais distante. Como a abertura é minúscula, a quantidade de luz que atinge o filme ou o papel fotográfico é extremamente reduzida, o que exige tempos de exposição que variam de alguns segundos a várias horas. Esse fator temporal introduz uma dimensão poética na fotografia, onde o movimento frenético das cidades desaparece, transformando ruas lotadas em cenários fantasmagóricos e silenciosos.


Para o artista, a pinhole representa um exercício de desapego e controle artesanal. Sem visor para enquadrar ou visor digital para conferir o resultado imediato, o fotógrafo precisa confiar na intuição e na sua compreensão da geometria da luz. Muitas vezes, a própria câmera é construída pelo autor a partir de objetos cotidianos, como latas de café ou caixas de madeira, o que permite distorções e perspectivas que o equipamento industrializado raramente oferece. No laboratório, o suspense da revelação completa o ciclo de uma arte que não aceita a pressa. Em última análise, a fotografia de orifício não é apenas uma técnica técnica arcaica, mas uma resistência cultural que convida o olhar a desacelerar e a apreciar a textura do tempo gravada no papel.


06/02/2026

Fotografia Lambe-Lambe é Destaque no XI Herança Nativa do SESC Ceará

Em meio ao toré dos povos indígenas, ao balanço das saias das comunidades quilombolas e ao aroma das medicinas tradicionais, uma pequena caixa de madeira sobre um tripé roubou a cena no XIº Encontro Sesc Herança Nativa. O local, o Sesc Iparana Reserva Natural, transformou-se em um portal do tempo onde o passado e o presente se encontraram através das lentes de Chico Bruno, do projeto Retrato Batido Cariri.

25/01/2026

Retrato Batido marca presença no XI Herança Nativa


Entre os dias 30 de janeiro e 03 de fevereiro, o Sesc Iparana será o palco do Herança Nativa 2026, um evento que exalta a riqueza cultural e as tradições dos povos originários e comunidades tradicionais. Estaremos presentes com Chico Bruno fazendo fotografia lambe-lambe em vivências e palestras.

Realizado pelo Sistema Comércio (Fecomércio CE, Sesc e Senac), o encontro é uma oportunidade única de vivenciar trocas de saberes, apresentações culturais e fortalecer o elo com a nossa história.

Programe-se:

Onde: Sesc Iparana Hotel Ecológico.
Quando: De 30/01 a 03/02 de 2026.

Fique de olho em nossas redes para conferir as ações e os retratos batidos no evento!